Chovia, e os teus olhos pareciam duas cicatrizes quando os fechavas com muita força.
As nossas mãos seguiam juntas mas tu não me agarravas realmente; eu era árvore e tu apenas folha.
Pedi-te um beijo com o olhar e uma lágrima caiu.
Porque choras? perguntaste.
O teu coração está longe do meu, parei.
Mas tu continuaste e deixaste a minha mão para trás.
Não te chamei, não te segui.
Não olhaste para trás.
então eu olhei para o céu e deixei que a chuva me lavasse a alma

Adormecia em ti e era como se um manto de rosas me cobrisse.
respirações e corações em uníssono; eramos um só
Agora estendo os braços mas ninguém me segura as mãos; e dói.
Eras o início e o fim de todas as coisas e em ti os sonhos ganhavam outra cor.
Em ti eu fazia sentido e contigo ia sempre mais longe que o coração. Precisava de ti e era para ti que respirava. 
Tudo por ti, em ti, contigo, de ti e para ti.
Mas foste, e ver-te partir deixou cicatrizes mais profundas que o amor.
Porém, continuo a amar e espero em todos os minutos que o vento me leve a ti.
Sei que, agora, os nossos olhares não se poderão cruzar, mas quando fechares os olhos e me sentires em ti, abraça o meu coração.


porque quando a luz das estrelas se torna chuva que não para, como as minhas lágrimas, eu lembro-me que te amei.

Apaguei o cigarro, sentei-me e respirei fundo; o ar cheirava a lavanda e uma lágrima caiu.
Cá fora estava frio, mas eu podia ouvir o meu coração e isso confortava-me. Julgava-o morto já e e era bom senti-lo bater.
Mas estava triste.
Tão triste, tão escura e sombria como a morte.
Lá dentro tudo era silêncio e sombras trepavam as paredes.
e eu tive medo.
Tive medo dos lençóis, do minha erma cama.
tive medo de mim.
Tenho frio, mas não quero voltar para dentro. 
Quero que a noite me devore, quero ser ar, lua, vento.
frio.
Quando amanhecer, voltarei.
Mas até lá,                                                      quero ser noite.


Estarei a sonhar?
Tens o céu nos lábios e quando olhas para mim semeias tulipas no meu coração.
Beijas-me as cicatrizes com os dedos e o meu amor é tão grande que não me cabe no peito.
Quero-te aqui, quero-te sempre aqui mas quando te tenho faltam-me as palavras.
O silêncio é bom contigo e quando penso em ti não sinto os pés no chão.
Sei que não faço muito sentido - nunca fiz - mas eu amo-te muito e tanto, tanto que no escuro sinto o teu coração a bater em mim.
e sinto-te, quero-te. 
Quando chega a noite sinto-me ainda mais perto de ti, pois talvez a lua que tu vês seja a mesma que eu vejo.
e assim estamos separados à distância de um beijo.
Quero dizer-te que está frio aqui sem ti, que sem ti o café é amargo e que tu me tornas uma pessoa melhor.
Quero ser a tua felicidade.
E juntos...
seremos o mundo.

O dia nasceu como uma rosa nos meus olhos e eu sorri.
Há muito que ali estava sentada à sua espera. Entre livros e chávenas de café, encontrava almas perdidas como a minha. Sozinhas, procuravam outra coisa. Não entendia, mas abraçava-as no meu coração.
Elas iam e vinham, acompanhando os ponteiros do relógio que passeavam no meu pulso.
Senti-me tentada a abandonar-me, deixar-me ali e partir.
Separar a alma do corpo.
Mas continuava sentada, embrulhada no frio, aquecendo a esperança nas mãos.
E finalmente amanheceu.
O sol, as flores, os pássaros.
Esperava por um sinal, qualquer que fosse.
E o sol nasceu como uma rosa nos teus olhos.
"Ela esconde os seus sentimentos. Ela não consegue encontrar seus sonhos. Ela está perdendo a cabeça. Ela está caindo. Ela não consegue encontrar seu lugar. Ela está perdendo a fé. 
Ela está em todo o lado mas não pertence a lugar nenhum."

É estupidamente engraçada a forma como as pessoas entram e saem da nossa vida.
É que... parece tão fácil.
Fazes um amigo enquanto acendes o cigarro e quando ele se apaga já nem te lembras do seu nome.
O laço desfaz-se e tudo desaparece; a peça acaba e não há aplausos; o café arrefece e eu nem o provei.
E eu não quero isso para nós. Quero acender cigarros contigo e quero que ainda lá estejas quando fumar o próximo. Quero fechar os olhos e sentir a tua respiração tão perto que, ao abrir a boca, faço meu o teu ar.
Não quero dizer amo-te em vão. Quero sentir cada sílaba, cada pausa, cada vírgula.
Quero saborear o silêncio contigo.
Então... solta o cabelo e deita-te a meu lado.
Quando te encontrei pensei que a vida tinha começado; e assim, talvez as nuvens nem sempre trouxessem chuva.
Sabes que eu nunca fiz muito sentido, mas quando a minha mão tocava a tua e o amor se desenrolava entre os dedos, eu desejava ser parte de ti, desejava conquistar um espaço tão grande no teu coração, tão grande que lá coubesse o meu amor.
E os meus medos.
Esses medos nunca me abandonaram, nem mesmo quando adormecia em ti e contigo e me prometias que o sol nascia na ponta dos meus cabelos.
Para ti o sol estava sempre lá mesmo quando escondido: tu sabia-lo lá, e isso bastava para te confortar. Não precisas de o ver, de o sentir; saber que lá estava afastava qualquer gota de chuva.
Mas eu queria vê-lo e quando abria a janela, tu tomavas-me a mão e sussurravas: não podes ver, amor.
Porquê?
As nuvens escondem-no. Mas ele está lá.
Como podes dizer se está lá se não o podes ver?
E tu beijavas-me os olhos com o sorriso.
Eu queria vê-lo, precisava de vê-lo para saber que estava mesmo ali.
E foi assim que perdi o teu amor.
Pensei que, mesmo não o vendo, ele estaria lá. Aliás, foste tu que me ensinaste isso.
Eu não precisava de ver; saber que lá estava era suficiente.
Mas não estava.
 e tu foste embora