Sabes que eu nunca fiz muito sentido, mas quando a minha mão tocava a tua e o amor se desenrolava entre os dedos, eu desejava ser parte de ti, desejava conquistar um espaço tão grande no teu coração, tão grande que lá coubesse o meu amor.
E os meus medos.
Esses medos nunca me abandonaram, nem mesmo quando adormecia em ti e contigo e me prometias que o sol nascia na ponta dos meus cabelos.
Para ti o sol estava sempre lá mesmo quando escondido: tu sabia-lo lá, e isso bastava para te confortar. Não precisas de o ver, de o sentir; saber que lá estava afastava qualquer gota de chuva.
Mas eu queria vê-lo e quando abria a janela, tu tomavas-me a mão e sussurravas: não podes ver, amor.
Porquê?
As nuvens escondem-no. Mas ele está lá.
Como podes dizer se está lá se não o podes ver?
E tu beijavas-me os olhos com o sorriso.
Eu queria vê-lo, precisava de vê-lo para saber que estava mesmo ali.
E foi assim que perdi o teu amor.
Pensei que, mesmo não o vendo, ele estaria lá. Aliás, foste tu que me ensinaste isso.
Eu não precisava de ver; saber que lá estava era suficiente.
Mas não estava.
e tu foste embora
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